"Tem alguma coisa muito errada em conceder prestígios em termos de lei para determinados grupos culturais. Simplesmente, uma vez legitimados, se institucionalizam e o debate é inevitavelmente dissolvido. Grupos culturais devem se articular no palco cultural, espaço dinâmico, orgânico, onde a liberdade de questionamento, crítica, diálogo e fórum deveriam ser abertos. Sem ingenuidade, entendemos que a cultura não é isenta de falhas morais e aspectos desumanizadores, desconfiança óbvia, ante qualquer produção humana. Porém, ao darem caráter institucional a determinados agrupamentos culturais, tornam tais expressões fechadas a qualquer tipo de juízo. E o mais irônico, alguns destes grupos, apesar de criticarem toda absolutização ideológica moderna, deleitam-se com a possibilidade igualmente moderna, de serem absolutizados em termos de lei. Uma contradição interna na própria estrutura discursiva do "lobby" de tais agrupamentos."
"Na era da customização tudo se adéqua a nosso formato e interesses. Bem pode ser, que nos tornamos um tanto mimados, infantis, sempre inclinados a achar que tudo deve ser à nossa imagem e semelhança. O mesmo vale para a religiosidade. Sempre estamos em busca de uma "igreja" onde possamos nos sentir bem, uma espiritualidade de boteco que diga sempre o que queremos ouvir, e não o que precisamos ouvir. Como o cardápio religioso é variado, os mais frágeis continuarão em sua peregrinação, correndo o risco de nunca descobrirem que o problema nem sempre são os outros, mas pode ser ele mesmo, como de costume o é. Uma boa espiritualidade, envolve certo risco, dar um salto de confiança, e perceber que felicidade envolve alguma instabilidade. Se algum lugar ameaça suas pretensões customizadoras, bem pode ser, que este seja o melhor lugar para se hospedar. "
"O testemunho em grego é o martírio, o martírio, é derramar a vida para a glorificação de Deus. Os judeus chamariam de "Kidush haShem", a vida entregue para a santificação do nome de Deus, bem nos termos da orações do Senhor: "santificado seja o seu nome". Quem ama sua vida, perdê-la-á, mas quem perdê-la, ganha-la-á. O martírio em última instância envolve a morte por causa de Cristo, mas o martírio (testemunho) também acontece na vida derramada todos os dias por causa dele. Por causa de Cristo a existência é entregue em oferta e sacrifício contínuos, todos os dias um pedaço da vida fica na missão. Assim, vai o mártir, farto de esperança, até a plena morte e ressurreição em Cristo. Nos termos de Paulo, espetáculo para o mundo."
"Religião de foro íntimo? Que tranqueira é esta? Espiritualidade sem comunidade é a coisa mais cômoda que existe. Uma espiritualidade digna do meu respeito é aquele que me confronta, que expõe minhas vergonhas e desconstrói minhas pretensões egocêntricas. Do contrário, é ópio mesmo."
"A imagem de que cristãos são ignorantes, culturalmente alienados, a-críticos é insustentável pelo simples testemunho histórico de que grandes pensadores, filósofos, cientistas, artistas e matemáticos emergiram do seio da grande cristandade, entre eles, católicos, anglicanos e protestantes. Não precisa ir muito longe, tome um café com alguns dos cristãos que conheço e você se surpreenderá. E detalhe, cristãos conservadores e ortodoxos, pessoas que não caíram na tentação de endeusamento da cultura para serem aceitos em determinados círculos sociais."
"A felicidade cristã é simples: ser casado (se vocacionado pra isto), filho(s), uma comunidade onde desfrutamos da centralidade do evangelho de Jesus Cristo, e derramar a vida em missão e serviço a Deus e ao próximo, e tomar um bom café todas as manhãs. Então, sejamos felizes!"
"Santificação é uma ação eficiente procedente exclusivamente de Deus, que por sua graça em Jesus se apropria de pessoas pecadoras, agora regeneradas, dedicando-as para sua glória. O santificado dá sinais de progressiva transformação e conformação à imagem de Jesus. Por ser obra de Cristo, no Espírito Santo, a apropriação santificadora relaciona-se diretamente com tornar-se semelhante ao Filho de Deus. Na santificação, inaugura-se um drama "cristoforme", o dom de imitar a Deus e tornar-se como Cristo é. Algo que os antigos cristãos chamariam de "imitatio Dei" (a imitação de Deus)."
"Uma frase terapêutica que ouvi de Guilherme de Carvalho quando me arrisquei a uma nova vida comunitária. Vida comunitária e felicidade envolvem riscos. Sem risco, não há felicidade. Não há como se curar de uma experiência frustrante sem o risco de de entrar em uma nova vida comunitária. O cinismo entra quando achamos que não há mais comunidade ou líderes que não prestam. Quer se curar? Arrisque-se em imergir em uma nova vida comunitária. Vem tomar o pão e o vinho de Jesus com um monte de gente imperfeita querendo se curar."
Se o evento da cruz é o do tamanho que os apóstolos e os profetas escreveram, amigo, pode ter certeza que nosso tombo foi muito maior do que alcança nossa vã imaginação. Se mede o tamanho de um buraco pelo tamanho da corda usada para resgatar quem estava lá dentro. Entretanto, fascinante não é o tamanho do abismo em que estávamos enfiados, mas o tamanho do resgate operado para que saíssemos de lá. Um buraco tão fundo, que só por milagre se poderia sair dele. Pois bem, o milagre aconteceu.
"Porque ele nos resgatou do império das trevas e nos transportou para o Reino do Filho do seu amor." (Apóstolo Paulo)
Se você olhar para dentro de si mesmo. Se esquadrinhas as entranhas de sua existência, você encontrará uma abismo de dar vertigens. Se você procurar alguma coisa em você mesmo que atraia o amor de Deus, encontrará um vazio intransponível. Na angústia desta busca inquietante, só encontrarás descanso quando perceberes que ninguém pode atrair o amor de Deus. Mas, Ele mesmo que nos atrai para si. Deus mesmo se volta em amor por nós, e por isto é graça, pois a causa está NELE e nunca em nós. A fé é abraçar o amor dele e abrir mão de todas as tentativas de encontrar causas no vazio e feiura de nossa vida interior. Isto é amor incondicional.
Ansiamos por uma nova reforma baseada nas velhas e sempre renovadas promessas. Mas, oramos pouco. Quantos de nós que vivemos reclamando e criticando (não sem razão) a atual situação da Igreja Evangélica, dobramos nossos joelhos em oração para que o evangelho volte a nossos púlpitos? Quantos de nós oramos pela revitalização de nossas escolas bíblicas? Quantos de nós já jogamos a toalha e penduramos a chuteira e fundamos uma "igreja" privada, subjetiva e esquecemos que se somos Igreja, não somos sozinhos. O que a afeta, afeta a muitos e a mim mesmo. Então, ore hoje pela Igreja Evangélica, ore por pastores e pregadores corajosos não dados à ganância, mas sacrificados pela cruz, radicados em Cristo e à serviço da glória de Deus.
Não haveria fome se não houvesse alimento para saciá-la. Não haveria fé se não houvesse Deus para satisfazê-la. O fato de você não encontrar comida, não quer dizer que ela não exista, a evidência é a fome. O fato de você não encontrar a Deus, não quer dizer que Ele não exista, a evidência é a busca.
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