quinta-feira, 5 de julho de 2012

Lírio - Igor Miguel


Por Igor Miguel

Ontem à noite foi a formatura da minha esposa. Tivemos a graça da presença de algumas pessoas muito especiais. Dentre as lembranças e os gestos de superação de mais uma fase da vida, minha esposa ganhou da Alessandra Carvalho (esposa doGuilherme Carvalho) um belíssimo lírio, com uma de suas flores já desabrochadas e os outros botões potencialmente preparados para se exibirem.

Hoje de manhã, lá estava o lírio, com mais duas flores abertas totalizando três flores abertas. Um espetáculo da criação, puro ato de graça. Fiquei alguns minutos, que pareciam horas, contemplando a cor quente das flores do lírio, observando, como sem pressa, aquelas pétalas extravagantes me surpreendendo. Imaginei, que enquanto eu dormia, elas lentamente se movimentavam sobre o decreto divino. Constatei, que a mesma ordem que faz a chuva vir, o vento soprar, fez aquelas flores se abrirem silenciosamente, e quando atentei para elas, logo de manhã, sob a luz do sol, elas estavam lá, prontas para que eu as pudesse ver.

Pode ser que algumas delas se sequem, pode ser que esta beleza se passe, mas há outros botões, sei que elas podem me alegrar de amanhã e novamente louvarei ao Senhor por seus benefícios. Pude entender as palavras de Jesus, quando disse que 'nem Salomão em toda sua glória se vestiu como um lírio'.

Nesta altura, vale a pena lembrar as palavras de G.K. Chesterton:

Mas talvez Deus seja forte o suficiente para exultar na monotonia. É possível que Deus todas as manhãs diga ao sol: "Vamos de novo"; e todas as noites à lua: "Vamos de novo". Talvez não seja uma necessidade automática que torna todas as margaridas iguais; pode ser que Deus crie todas as margaridas separadamente, mas nunca se canse de criá-las. Pode ser que ele tenha um eterno apetite de criança; pois nós pecamos e ficamos velhos, e nosso Pai é mais jovem do que nós. A repetição na natureza pode não ser mera recorrência; pode ser um BIS teatral. O céu talvez peça bis ao passarinho que botou um ovo. (CHESTERTON, 2007, p.63).

Nas palavras de Jesus e em meu contato pessoal, o lírio tornou-se um símbolo da providência divina.
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CHESTERTON, G.K. Ortodoxia. São Paulo: Mundo Cristão, 2007.

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