"Em face a morte, não nos é possível falar de maneira fatalista: 'É a vontade de Deus'; mas temos de justapô-la a outra realidade: 'Não é a vontade de Deus'. A morte revela que o mundo não é como deveria ser, mas se encontra em necessidade de redenção. Somente Cristo é a vitória sobre a morte. Aqui, a antítese entre a 'vontade de Deus' e a 'não vontade de Deus' ilumina-se e alcança resolução. Deus consente com a sua 'não vontade', e de agora em diante a própria morte deve, portanto, servir a Deus. De agora em diante, a 'vontade de Deus' abrange a 'não vontade de Deus'. Deus deseja a conquista da morte por meio da morte de Jesus Cristo. Não se trata de uma renúncia fatalista, mas de uma fé viva em Jesus Cristo, morto e ressuscitado por nós, que é capaz de lidar profundamente com a morte.
Na vida com Jesus Cristo, a morte como destino geral a se aproximar de nós externamente é confrontada pela morte interna, a própria morte do indivíduo, a morte gratuita de morrer diariamente com Jesus Cristo. Aquele que vive com Cristo morre diariamente por vontade própria. Cristo em nós nos entrega a morte para que assim ele possa viver conosco. Assim, nossa morte interior desenvolve-se ao encontro da morte externa. Os cristãos recebem a própria morte desse modo, e deste modo nossa morte física torna-se verdadeiramente não o fim, mas sim o cumprimento de nossa vida em Jesus Cristo. Aqui entramos em comunhão com o Único que, na iminência da morte, foi capaz de dizer: 'Está consumado'.
Dietrich Bonhoeffer
Nenhum comentário:
Postar um comentário